Esses dias ouvi uma história super bacana de um cara que impediu uma menina de ficar paraplégica depois de um acidente de ônibus na estrada. Eles iam de Brasília a São Paulo para um show do Metallica, o motorista perdeu o controle e o ônibus caiu em uma ribanceira. O heroi saiu quase ileso e ficou ajudando a moça a não sentar nem deitar. Quando ela foi socorrida pelos bombeiros, disseram que, por pouco, ela não teve uma lesão na coluna.
História linda, não? O heroi foi devidamente reconhecido e sacaneado pelos amigos. Engraçado como ser bonzinho e corajoso tem seu preço na nossa sociedade!
Bem, o meu heroi não quebrou o parabrisa para me ajudar, tampouco me salvou de um sequestro ou de forças malignas. Meu heroi trabalha num posto de gasolina da Petrobras, veste aquele uniforme verde e branco e se chama Alan. Gosta de pagode e está se separando da esposa.
Foi tudo que eu consegui descobrir enquanto ele trocava o pneu do carro em uma madrugada da semana passada. Uma tarefa bem difícil, que outro rapaz de outro posto de gasolina se recusou a fazer. E que o pessoal do seguro também não pode ajudar, porque a apólice estava vencida.
Não que trocar o pneu fosse uma grande coisa. Se demorasse demais, eu mesma ia virar borracheira e fazer o serviço. Mas meu heroi foi heroi porque fez cheio de boa vontade, com um sorriso no rosto e no final ainda disse: "eu que agradeço. Estava precisando ajudar alguém."
Tão sincero que dá até vontade de ser heroi de alguém também.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Novos hábitos
Toda mudança faz a gente rever algumas coisas. E tem mudanças que conseguem impor um ritmo de vida completamente diferente. Antes o trabalho era quase que noturno. Cinco da tarde era quase meio-dia, eu diria. Diversão garantida com colegas mais que amigos. Mas quase nada de cinema, teatro, casa de amigas que, como seres humanos normais, não podiam me esperar até as 11 da noite para jantar.
Agora eu levanto cedo. Dia bonito quase sempre, bom motivo para botar uma saia. Mas aí eu lembro do ar-condicionado, da rinite, e acabo chegando no trabalho como quem vai à Patagônia. Tudo bem. Aí ando entre os computadores, torcendo pra não tropeçar, porque o piso é traiçoeiro e cheio de desníveis. Verdade. Já vi gente caindo feito banana do meu lado.
E a vida segue diferente assim. Falta café quando eu realmente preciso beber algo quente. E se tem, é tão quente que eu queimo a língua. Essa coisa de insatisfação é foda...
Mais uma na multidão. Não caia, não grite, tenha paciência para esperar a garrafinha de água encher no filtro de doses homeopáticas. Respire. Leia blogs de gente inteligente, poste novidades no Twitter. Tem gente que quer te ouvir! Tudo bem, vamos lá, estou mais que preparada!
Agora, confesso que ler O Fascinante Império de Steve Jobs tem sido um grande desafio...
Agora eu levanto cedo. Dia bonito quase sempre, bom motivo para botar uma saia. Mas aí eu lembro do ar-condicionado, da rinite, e acabo chegando no trabalho como quem vai à Patagônia. Tudo bem. Aí ando entre os computadores, torcendo pra não tropeçar, porque o piso é traiçoeiro e cheio de desníveis. Verdade. Já vi gente caindo feito banana do meu lado.
E a vida segue diferente assim. Falta café quando eu realmente preciso beber algo quente. E se tem, é tão quente que eu queimo a língua. Essa coisa de insatisfação é foda...
Mais uma na multidão. Não caia, não grite, tenha paciência para esperar a garrafinha de água encher no filtro de doses homeopáticas. Respire. Leia blogs de gente inteligente, poste novidades no Twitter. Tem gente que quer te ouvir! Tudo bem, vamos lá, estou mais que preparada!
Agora, confesso que ler O Fascinante Império de Steve Jobs tem sido um grande desafio...
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Celebridade
Vladimir Brichta acabou de sair da redação. Juro. A mulherada foi à loucura. Eu, que me esforçava para entender o sotaque venezuelano de um entrevistado em meio aos gritos, dei só uma olhadinha. Uma pena.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Copa
Aí o Dunga convocou a seleção. Vinte e três rapazes que, coitados, levam nas costas a expectativa de milhares de brasileiros. E, nos bolsos, uma grana que muitos desses brasileiros não conseguem sequer imaginar.
Trinta dias. Um mês para começar aquela fase boa que se parece com alguns verões da infância que a gente tem guardado na memória. Sim, porque na Copa tudo pode. Quem trabalha de terno, pode usar camiseta verde amarela. Pode até não trabalhar. Todo mundo fica bonzinho, bebe bastante. Uma delícia.
E aí a publicidade deita e rola. A Tim, por exemplo, prometeu celular de graça até 2014 se o Brasil for hexa. Aqui em casa, todos os pré-pagos estão mais que na torcida.
E o pessoal que comprou TV na Ricardo Eletro? Todo mundo super animado para o mundial. Afinal, se o Brasil vencer, o Ricardo vai pagar a primeira parcela. O que nem deve ser grande coisa pra quando se divide a compra da LCD em 50 vezes. Tem gente que está até resgatando o FGTS para comprar uma telona. Copa é Copa. Tem que ver todos os detalhes.
Acho que o Brasil não vai ganhar. Assim, confio no Dunga. Mas com tanta empresa prometendo coisa no caso de uma vitória no mundial, sei não. Porque eu não entendo nada de escalação, mas de economia dá até para dar uma arriscada.
Trinta dias. Um mês para começar aquela fase boa que se parece com alguns verões da infância que a gente tem guardado na memória. Sim, porque na Copa tudo pode. Quem trabalha de terno, pode usar camiseta verde amarela. Pode até não trabalhar. Todo mundo fica bonzinho, bebe bastante. Uma delícia.
E aí a publicidade deita e rola. A Tim, por exemplo, prometeu celular de graça até 2014 se o Brasil for hexa. Aqui em casa, todos os pré-pagos estão mais que na torcida.
E o pessoal que comprou TV na Ricardo Eletro? Todo mundo super animado para o mundial. Afinal, se o Brasil vencer, o Ricardo vai pagar a primeira parcela. O que nem deve ser grande coisa pra quando se divide a compra da LCD em 50 vezes. Tem gente que está até resgatando o FGTS para comprar uma telona. Copa é Copa. Tem que ver todos os detalhes.
Acho que o Brasil não vai ganhar. Assim, confio no Dunga. Mas com tanta empresa prometendo coisa no caso de uma vitória no mundial, sei não. Porque eu não entendo nada de escalação, mas de economia dá até para dar uma arriscada.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Romances digitais
Me desculpem os muito enamorados, mas essa história de viver a vida digital como um só não está com nada. “Rebeca&Gustavo se amam” entrou no Messenger. Putz, coisa cafona. Ou então “Eu amo o Felipe” deixou um recado para você no Orkut. Quem é Felipe? Ó, céus.
Entendo que a paixão floresce e dá aquela vontade de gritar aos quatro ventos que ninguém, jamais, foi tão feliz. Ah, o amor. Mas isso me parece mais uma estratégia para fugir de acusações de infidelidade on line. Ou para avisar os/as peguetes que recados e piadinhas não são bem-vindos.
Nos tempos virtuais, o melhor para quem planeja pular a cerca é fugir da tecnologia. E para os fiéis apaixonados, o esquema é ter personalidade. No mundo real e no digital.
Entendo que a paixão floresce e dá aquela vontade de gritar aos quatro ventos que ninguém, jamais, foi tão feliz. Ah, o amor. Mas isso me parece mais uma estratégia para fugir de acusações de infidelidade on line. Ou para avisar os/as peguetes que recados e piadinhas não são bem-vindos.
Nos tempos virtuais, o melhor para quem planeja pular a cerca é fugir da tecnologia. E para os fiéis apaixonados, o esquema é ter personalidade. No mundo real e no digital.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Subindo a serra
20 de janeiro de 2010, 9 da manhã. Rodoviária de Porto Alegre.
Onde era mesmo que a minha mãe comprava aquela torrada? Não sei, as coisas pareciam ser muito maiores naquele tempo. Tempo em que eu ia muitas vezes à capital para ver se os médicos descobriam o que havia com os meus dedos. Nasci com os dedos mínimos tortos. Fiz uma cirurgia aos 6 anos, fisioterapia, e as mãos ficaram normais como as de todas as crianças. Hoje um deles voltou a ser torto. O esquerdo, claro. Mas já não me preocupo em ser normal como todos os adultos.
Mas eu falava das torradas. Sim, eram triangulares, cheias de manteiga e queijo. Era a parte mais gostosa da viagem a Porto Alegre. Até o dia em que minha mãe desistiu de comprar a tal torrada, só porque eu comia apenas a parte do miolo e deixava as cascas no prato. “Muita gente passa fome e você está desperdiçando”, ela dizia. Ou se não dizia, foi essa mensagem que gravei do castigo de nunca mais comer a tal torrada. Que seja. No momento, não tenho mais vontade de comer um miolo de pão engordurado.
A viagem até Caxias é incrivelmente rápida, mas eu achava uma loucura que pessoas a fizessem todos os dias. Bobagem. Hoje eu faria, se fosse preciso. Ainda mais com o slogan da companhia de ônibus: Expresso Caxiense – Transporte Carinhoso. Uma graça.
A serra é aquele lugar onde as nuvens nascem e passeiam, frias, até a hora de chover. A paisagem é bem bonita, entrecortada por araucárias e por uma neblina que insiste em aparecer em pleno verão. Ah, o Sul. Fazer turismo é bacana, mas morar... Não me encanta o sofrimento que é para escovar os dentes na água gelada ou colocar o nariz para fora de casa em uma manhã polar.
Mas é verão e pelo menos disso em fugi. Seja como for, subir a serra é uma viagem ao passado. Ao meu passado, que nem está tão distante assim. Fazia cinco anos que eu não botava o pé na cidade onde cresci, mas deu pra ver que ela cresceu junto comigo. Prédio e casas se erguem em áreas onde antes só havia mato. O centro está tomado por lojas e lojinhas. Só não fazem sucesso as Casas Bahia, que faliram em todo o Rio Grande do Sul.
Talvez porque os gringos são apegados às coisas da terra. Valorizam suas empresas, comidas, músicas. E quando vão embora, penduram chaveiros, bandeiras em todos os lugares. Fazem churrasco e chimarrão. E ai de quem falar mal de gaúcho.
Onde era mesmo que a minha mãe comprava aquela torrada? Não sei, as coisas pareciam ser muito maiores naquele tempo. Tempo em que eu ia muitas vezes à capital para ver se os médicos descobriam o que havia com os meus dedos. Nasci com os dedos mínimos tortos. Fiz uma cirurgia aos 6 anos, fisioterapia, e as mãos ficaram normais como as de todas as crianças. Hoje um deles voltou a ser torto. O esquerdo, claro. Mas já não me preocupo em ser normal como todos os adultos.
Mas eu falava das torradas. Sim, eram triangulares, cheias de manteiga e queijo. Era a parte mais gostosa da viagem a Porto Alegre. Até o dia em que minha mãe desistiu de comprar a tal torrada, só porque eu comia apenas a parte do miolo e deixava as cascas no prato. “Muita gente passa fome e você está desperdiçando”, ela dizia. Ou se não dizia, foi essa mensagem que gravei do castigo de nunca mais comer a tal torrada. Que seja. No momento, não tenho mais vontade de comer um miolo de pão engordurado.
A viagem até Caxias é incrivelmente rápida, mas eu achava uma loucura que pessoas a fizessem todos os dias. Bobagem. Hoje eu faria, se fosse preciso. Ainda mais com o slogan da companhia de ônibus: Expresso Caxiense – Transporte Carinhoso. Uma graça.
A serra é aquele lugar onde as nuvens nascem e passeiam, frias, até a hora de chover. A paisagem é bem bonita, entrecortada por araucárias e por uma neblina que insiste em aparecer em pleno verão. Ah, o Sul. Fazer turismo é bacana, mas morar... Não me encanta o sofrimento que é para escovar os dentes na água gelada ou colocar o nariz para fora de casa em uma manhã polar.
Mas é verão e pelo menos disso em fugi. Seja como for, subir a serra é uma viagem ao passado. Ao meu passado, que nem está tão distante assim. Fazia cinco anos que eu não botava o pé na cidade onde cresci, mas deu pra ver que ela cresceu junto comigo. Prédio e casas se erguem em áreas onde antes só havia mato. O centro está tomado por lojas e lojinhas. Só não fazem sucesso as Casas Bahia, que faliram em todo o Rio Grande do Sul.
Talvez porque os gringos são apegados às coisas da terra. Valorizam suas empresas, comidas, músicas. E quando vão embora, penduram chaveiros, bandeiras em todos os lugares. Fazem churrasco e chimarrão. E ai de quem falar mal de gaúcho.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Palavras, palavras
Adoro ler. De verdade. Gosto dos filmes, das músicas, mas um bom livro é infinitamente melhor que qualquer um deles. Primeiro, porque não é preciso muito mais que boa vontade para ler. Nada de aparatos tecnológicos. É possível ler embaixo da árvore, na fila do banco, na beira da praia, no ônibus, na hora do café. Segundo, porque os livros permitem que cada um pense nas histórias à sua maneira. Algo absolutamente fantástico.
Mas, por incrível que pareça, não sou uma compradora de livros. Talvez porque nunca tive uma estante no meu quarto, um lugar bem bonito para guardar tantas obras. Também nunca ganhei muitos livros, as pessoas preferem me dar roupas, brincos e colares de presente. Coisa engraçada. De qualquer forma, isso nunca foi um problema. Nos últimos anos, menos ainda. Tenho um grande amigo, o Igão, que desde o início da faculdade assumiu uma nobre responsabilidade: promover boas leituras para mim.
E tem sido assim desde então. Ele me empresta quase todos os títulos que compra, já sabe que eu não vou abrir o livro de forma brusca e estraga-lo. Muito obrigada, Igão, você é realmente ótimo. Mas esta semana, tive que pegar um livro emprestado com outra pessoa. Essa pessoa se chama Vinícius, tem 10 anos e está na quarta série. Ele me emprestou um livro que quase todo mundo que conheço já leu: O pequeno príncipe.
Sim, isso mesmo. Eu tenho 24 anos e nunca li O pequeno príncipe. Se li, faz tanto tempo que nem me lembro. Saí contando para os meus amigos qual será a minha próxima leitura. E, para minha surpresa, muitos contaram que leram O pequeno príncipe outra vez recentemente. “Toda vez que leio, percebo algo diferente”, ouvi de alguém.
Estou ansiosa. O livro está aqui do lado, já li as primeiras páginas – aquela em que ele fala do desenho da jiboia, sensacional. Para falar a verdade, já li essa parte umas três vezes. Aí paro e começo de novo. Como quando a gente escreve e, para ver como ficou a estrutura da última frase, lê tudo de novo, desde o início. Acho que é excesso de apego, não sei. Gosto muito de palavras.
Mas, por incrível que pareça, não sou uma compradora de livros. Talvez porque nunca tive uma estante no meu quarto, um lugar bem bonito para guardar tantas obras. Também nunca ganhei muitos livros, as pessoas preferem me dar roupas, brincos e colares de presente. Coisa engraçada. De qualquer forma, isso nunca foi um problema. Nos últimos anos, menos ainda. Tenho um grande amigo, o Igão, que desde o início da faculdade assumiu uma nobre responsabilidade: promover boas leituras para mim.
E tem sido assim desde então. Ele me empresta quase todos os títulos que compra, já sabe que eu não vou abrir o livro de forma brusca e estraga-lo. Muito obrigada, Igão, você é realmente ótimo. Mas esta semana, tive que pegar um livro emprestado com outra pessoa. Essa pessoa se chama Vinícius, tem 10 anos e está na quarta série. Ele me emprestou um livro que quase todo mundo que conheço já leu: O pequeno príncipe.
Sim, isso mesmo. Eu tenho 24 anos e nunca li O pequeno príncipe. Se li, faz tanto tempo que nem me lembro. Saí contando para os meus amigos qual será a minha próxima leitura. E, para minha surpresa, muitos contaram que leram O pequeno príncipe outra vez recentemente. “Toda vez que leio, percebo algo diferente”, ouvi de alguém.
Estou ansiosa. O livro está aqui do lado, já li as primeiras páginas – aquela em que ele fala do desenho da jiboia, sensacional. Para falar a verdade, já li essa parte umas três vezes. Aí paro e começo de novo. Como quando a gente escreve e, para ver como ficou a estrutura da última frase, lê tudo de novo, desde o início. Acho que é excesso de apego, não sei. Gosto muito de palavras.
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